Open Finance é o sistema, regulado pelo Banco Central, que permite levar seus dados financeiros de um banco para outro, ou fazer pagamentos a partir do app de outra instituição, sempre com a sua autorização. Você escolhe quais dados, para qual instituição e por quanto tempo, e pode cancelar quando quiser pelo app ou site de qualquer um dos dois bancos envolvidos. Segundo o portal Open Finance Brasil, o uso não tem custo para o consumidor.
Este guia explica como a autorização funciona, quais dados circulam, para que serve na prática e como se proteger de golpes que usam o nome do Open Finance. O básico sobre abrir e usar uma conta está no guia de conta bancária e Pix. Este conteúdo é educativo e não é recomendação financeira.
O que é e quem regula
As regras estão na Resolução Conjunta nº 1/2020, do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, alterada várias vezes desde então. No compartilhamento de dados, são participantes obrigatórias as instituições dos segmentos S1 e S2 e as que têm mais de cinco milhões de clientes; na iniciação de pagamento, entre outras, as participantes obrigatórias do Pix e as iniciadoras de pagamento. As demais instituições autorizadas podem aderir de forma voluntária (art. 6º). Segundo o Banco Central, são mais de 700 instituições, o que alcança 99% dos clientes de instituições autorizadas.
Dois pontos de desenho ajudam a entender a segurança:
- O compartilhamento é sempre entre duas instituições por vez: a que envia e a que recebe os dados.
- Não existe uma base central. Segundo o Banco Central, os dados não passam pelo BC nem ficam guardados num cadastro único.
Como funciona a autorização (consentimento)
Para trazer dados de um banco para outro, o caminho descrito pelo Banco Central é este:
- Comece no banco que vai receber os dados. No app ou site dele, procure a opção "Open Finance" ou "Trazer meus dados" e escolha o banco que vai enviar.
- Autorize (consentimento). A instituição precisa mostrar, em linguagem clara, para que vai usar os dados, quais dados quer, de qual banco e por quanto tempo (Resolução Conjunta nº 1, art. 10).
- Autentique-se no banco de origem. Você é levado ao app ou site do banco que vai enviar os dados e entra com a autenticação de sempre, como biometria, senha ou token. O banco que pediu os dados não vê essa etapa.
- Confirme. O banco de origem mostra um resumo com os dados, a instituição que vai recebê-los e o prazo da autorização. Só depois dessa confirmação o processo termina, e você volta ao app do primeiro banco.
A regra também diz o que não vale como consentimento: aceite escondido em contrato de adesão, formulário com a opção já marcada ou autorização presumida, sem ação sua (art. 10, § 3º). Os bancos também não podem criar obstáculos, como pedir autorizações extras ou instruções complicadas (art. 28).
Prazo e cancelamento
O prazo de validade da autorização deve ser compatível com a finalidade informada (art. 10, § 1º, III, na redação dada pela Resolução Conjunta nº 7/2023). Por isso, ele aparece na tela de confirmação, e vale conferir antes de aceitar.
Para cancelar:
- Você pode revogar a autorização a qualquer momento, e a instituição deve oferecer o cancelamento ao menos pelo mesmo canal em que ele foi dado (art. 15).
- Segundo o Banco Central, dá para cancelar pelo app ou site de qualquer um dos dois bancos envolvidos.
- O cancelamento de compartilhamento de dados é imediato; no caso de autorização para iniciar pagamentos, o prazo é de até um dia (art. 15, § 3º).
- As instituições devem mostrar as autorizações em vigor, com instituição, dados, validade, data do pedido e finalidade (art. 14). Procure essa área de "autorizações" ou "Open Finance" no app.
Quais dados podem ser compartilhados
O escopo mínimo está no art. 5º da resolução e inclui, entre outros:
- Cadastro: dados que você informou ao banco ou que ele obteve em bases públicas ou privadas.
- Transações: extrato de conta corrente e poupança, contas de pagamento pré e pós-pagas (o BC cita, por exemplo, a fatura dos cartões), operações de crédito, câmbio, investimentos, seguros e previdência aberta, com histórico de pelo menos 12 meses dos produtos com contrato em vigor no período.
- Informações públicas: canais de atendimento e características de produtos e serviços.
Ficam de fora do cadastro compartilhado os dados pessoais sensíveis, as notas ou pontuações de crédito e as senhas e credenciais de acesso (art. 5º, § 4º). Ou seja, o Open Finance não envia o seu score de um banco para outro. O Cadastro Positivo, que alimenta notas de crédito nos birôs, tem regras próprias, explicadas no guia sobre direitos no Cadastro Positivo.
Para que serve na prática
- Ver tudo em um só lugar: contas, cartões e investimentos de várias instituições num único app.
- Crédito com mais informação: com seus dados, outra instituição pode avaliar melhor o seu perfil e fazer uma oferta. Compare sempre pelo custo total, como mostra o guia para comparar o CET de empréstimos.
- Portabilidade de crédito: desde a Resolução Conjunta nº 15/2025, a portabilidade de operações de crédito está entre os serviços do Open Finance. A instituição nova precisa do seu pedido formal e do seu aceite das condições, e não pode haver dois pedidos de portabilidade do mesmo contrato ao mesmo tempo (art. 22-A). Confira se o seu banco já oferece esse caminho; as regras gerais estão no guia de portabilidade de crédito.
- Pagar pelo app de outro banco (iniciação de pagamento): o app que você usa inicia um pagamento, como um Pix, com dinheiro que está em outra instituição, como no exemplo do BC de "Trazer dinheiro" para pagar uma fatura. O banco onde está o dinheiro não pode bloquear, limitar nem tratar esse pagamento pior do que uma transação feita direto nos canais dele (art. 29). Para entender o Pix em si, veja como funciona o Pix.
- Pix por aproximação e Pix Automático: o Banco Central lista os dois na linha do tempo do Open Finance, em 2025, e descreve o Pix por aproximação como pagamento feito só com a aproximação do celular. Veja também como funciona o Pix Automático.
- Pagamento sem redirecionamento: a resolução passou a admitir a iniciação de pagamento sem levar você ao app do outro banco. Nesse caso, a autorização é dada uma vez e precisa trazer a forma de pagamento, o prazo de validade e os valores máximos por transação e por dia que você escolher (art. 9º, parágrafo único, e art. 13-A, incluídos pela Resolução Conjunta nº 10/2024).
Segundo o Banco Central, com dados de maio de 2026, eram 116 milhões de autorizações de compartilhamento de dados e R$ 4 bilhões por mês em transações Pix pelo Open Finance.
Segurança e golpes
As instituições participantes são responsáveis pela segurança e pelo sigilo do que compartilham (art. 31) e precisam tratar as reclamações dos clientes sobre o compartilhamento (art. 34). Os golpes, porém, raramente atacam o sistema em si; em geral, tentam enganar a pessoa. As orientações de segurança do portal Open Finance Brasil incluem:
- Não compartilhe senhas, códigos ou tokens em ligações ou mensagens.
- Não acesse a conta por links recebidos em mensagens. Entre direto pelo app oficial.
- Nunca permita acesso remoto ao celular ou ao computador.
- Nenhuma instituição séria cobra taxa para liberar empréstimo. Pedido de pagamento antecipado é sinal de golpe.
- Ligue para confirmar antes de transferir para alguém que pediu dinheiro por mensagem, sem usar a chamada de áudio do próprio aplicativo.
Na prática: o processo legítimo começa sempre no app ou site de um banco que você escolheu e termina na tela de confirmação do seu banco. Se alguém pedir que você "ative o Open Finance" por link, ligação ou aplicativo desconhecido, desconfie. Se cair num golpe com Pix, veja o que fazer no guia do MED e devolução do Pix.
Limites deste guia
O texto segue a Resolução Conjunta nº 1/2020 na versão consolidada publicada pelo Banco Central, com alterações até a Resolução Conjunta nº 15/2025, e as páginas do BC e do Open Finance Brasil consultadas em 20/10/2026. Cada instituição decide quais serviços oferece e como mostra as opções no app, e os nomes das telas podem variar. O guia não trata das regras de proteção de dados fora do Open Finance nem de serviços oferecidos por empresas não reguladas pelo Banco Central.
Resumo
- Open Finance é o compartilhamento de dados e serviços financeiros entre instituições autorizadas, sempre com o seu consentimento, e não tem custo para o consumidor.
- A autorização mostra finalidade, dados, instituições e prazo; não vale aceite pré-marcado ou presumido.
- Dá para cancelar a qualquer momento: o compartilhamento de dados para na hora, e a autorização de pagamento, em até um dia.
- Score de crédito, senhas e dados sensíveis não são compartilhados.
- Usos: visão unificada, ofertas de crédito, portabilidade, pagamentos pelo app de outro banco e Pix por aproximação.
- Golpes miram você, não o sistema: nada de senhas, links, acesso remoto ou taxa para liberar empréstimo.



